Nem por todas as horas passadas, nem com o tempo inundado de tempo, nem com o dilúvio e o vento, nem com a mesmice do teu amor, nem com as falhas terríveis que cometestes, com as cartas que não lestes. Nem mesmo com os olhos fechados pra mim, nem com a boca aberta, recheada de xingamentos, tormentos, paixão, nem com o medo doentio de te dizer não. Nem com a impossibilidade de junção de nossos corações. Nem com a farpa entranhada em meus dedos, aquelas daquela cerca de madeira facilmente destrutível que você ergueu, e que eu insisti em ultrapassar, me machucando, me arranhando, me rasgando inteira por ti.
Nem com todos os males, mares, ondas, correntezas e ventanias, luz acesa. Nem com o relógio parado, com o vidro quebrado, e o amor extirpado.
Até se com os olhos vendados eu tivesse que atirar na sorte, ver o corte, que tua faca fio afiado cortou, minha servidão.
Nem com a cabeça erguida, ou no chão, nem com o trato dos amores, filme de horrores, frios ardores, tristes semblantes, cabelos dançantes, ao vento do norte, ao sopro forte que você assoprava em minha nuca, arrepiava.
Nem com as rimas das canções, a explosão dos refrões, nem com tudo o que me lembra você, nem com tudo o que não me deixa te esquecer.
Nem com a tua boca na minha, teus dedos em mim, tua voz macia, nem assim, nem assim, eu seria de novo aquela fraca senhorita.

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